
Não poderia deixar de tecer aqui minhas idéias reforçadas após a leitura do post que trata a questão do preconceito contra o nordestino no blog de minha mulher, LuzDeveras.com. O post traz o texto do jornalista curitibando Alex Gutemberg entitulado “Um Mundo que Parou no Tempo” que expõe suas impressões acerca do povo do nordeste brasileiro. Sou cearense, mas nem por isso tive preconceito contra o texto dele. Explico o porquê:
Ao observar as manifestações de preconceito, percebi que além da tradicional discriminação contra as “minorias” – e falo da minoria financeira, de poder, não quantitativa ou populacional – existe a discriminação dos discriminados. O que eu quero dizer com isso? Um exemplo cai bem. Assistindo a uma palestra no evento de publicidade e propaganda Comunicar 2004 – acredito que o palestrante tenha sido o Fábio Leão, criação da agência W/Brasil – foi apresentada uma campanha que incluia uma peça do Unibanco. Lembra da “Essa Lúcia Helena do Unibanco mima você demais”? Então, quem falava a famosa frase era uma faxineira com sotaque nordestino. Naturalmente a ofensa logo chegou aos neurônios do público pretensamente cult e não demorou para surgir a pergunta: “Você não considera preconceito por uma faxineira nordestina não?”
Agora sou eu que questiono: Essa pergunta não seria um preconceito contra a profissão? Além disso, puxando um pouquinho na história, o êxodo rural não levou milhões de nordestinos à região sudeste? E a maioria dessas milhões de pessoas conseguiram quais empregos? Gerentes de empresas? É comum nordestinos em profissões menos remuneradas no sudeste, não? É isso que eu denomino, então, discriminação dos discriminados. Tudo é motivo para se sentir discriminado e até discriminar. Por que um negro deve ser chamado de afro-descendente? Não é preconceito contra a própria cor da pele? E a tal ‘cota para negros’ nas universidades, não seria discriminação contra as demais tonalidades de pele?
Sei bem que várias questões aqui são levantadas e que a discussão rende milhares de posts, como possivelmente virão, mas isso deve ser levado em consideração quando pensarmos no preconceito.
Voltando ao texto pseudo-jornalístico de nosso ‘conterrâneo brasileiro’, curitibano, não tive preconceito contra suas palavras e admito que muito do que foi dito é bem verdade. Mas questiono a ele se não há o outro lado da moeda, as qualidades de um povo coroadas com belas paisagens, e até mesmo se o lado da moeda exposto por ele não reluz em sua terra.
Pois bem, vale a leitura do post para reflexão e principalmente para aplaudir a belíssima resposta do pernambucano Paulo André Alves, também jornalista.
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LuzDeveras.com: âSomos nordestinos com muito orgulho e muito amorâ¦â